Apresentação do Autor
Farccions Mutassein Ibn-El’Tabor Iaraf Easin Tahan
Al-Camir[1] é uma personagem
histórica e controversa. Sua história se perde em meio a inúmeras
possibilidades de fatos reais distorcidos pelo imaginário dos que conheceram
apenas uma fração de sua múltipla personalidade, marcante quanto misteriosa, de
cuja convivência puderam desfrutar de forma profunda (por característica
pessoal), mas rápida (por impositivo circunstancial).
Se a arte possui muitas linguagens para
demonstrar sentimentos e ideias, Farccions Al-Camir é um poliglota
multitemático. Educador, filósofo, físico, matemático, jurista, teólogo, escritor,
poeta, desenhista, carpinteiro, navegador, enxadrista, fotógrafo, artista
plástico, expressa sua arte em prosa, poesia e artes plásticas e visuais, só
não o fazendo (ainda) através da música.
Pela exiguidade do tempo em contraposição à
vasteza dos interesses, não se dedica a uma só atividade por anos e anos seguidos.
Não faz arte em tempo integral, nem tem sua obra uma data qualquer por
registro. Só executa em arte o que a consciência lhe inspira e em (poucas)
datas específicas, cuja singularidade dos números determinam um artístico
registro do tempo.
A impossibilidade de precisar sua data de
nascimento só se compara à de estabelecer sua origem, e pouco ou nada é
diminuída por suas próprias informações, uma vez que sobre esse assunto ele
sempre se limitou a dizer, em tom venerável, como só o há fazer a experiência
de algum ulemá[2]:
“Somente a data em que morre um homem consegue ser menos importante que a
data em que ele nasce. O que realmente importa é como ele viveu entre uma e
outra; o que ele produziu de belo, de bom e de bem; quantos terão motivos
sinceros para lamentar sua partida e quantos e quais poderão vir a festejar a sua
ausência.”
“Somente o local onde nasceu o homem é menos importante que o local em que
ele morreu (foi enterrado). O que realmente importa são os locais por onde ele
passou entre um e outro; os locais onde aprendeu, onde laborou onde cultivou
amigos, onde fez inimigos; mas principalmente os lugares que mais o modificaram
e os que mais foram modificados por ele.”
A informação provavelmente mais correta é de que
teria nascido durante uma viagem de negócios de seu pai, mercador de antiga
tradição familiar, que teria levado a esposa, grávida, por acreditar mais
segura a longa e atribulada viagem em sua presença do que o repouso no lar
confortável em sua ausência.
Teria, assim, nascido em pequeno vilarejo, ou
acampamento, situado próximo à foz do rio Fez e, ainda pequenino, mudado-se com
a família para a grande cidade de Fez, onde se fez em caráter, e começou a se
fazer em conhecimento e cultura, pois como ele mesmo sempre disse, esse (o conhecimento)
é um caminho que está sempre em construção.
Tal cidade abriga a Universidade de Karueein
(ou Al Karaouine, fundada em 859 D.C.), a mais antiga universidade do mundo, ainda em funcionamento
nos dias de hoje, e onde teria iniciado sua ainda não concluída (como ele diz)
formação.
Em
outra versão, também aceita por alguns, teria ele nascido durante a referida
viagem de negócios, em lugarejo próximo à foz de um rio, mas no abençoado país
das terras do novo mundo, chamado Brasil, país no qual teria vivido parte de
sua vida adulta.
Al-Camir, nome pelo qual se tornou mais conhecido,
sempre foi pessoa de bom convívio, tendo sido favorecido por ímpar curiosidade
de mundo. Seu interesse por múltiplas áreas do conhecimento humano o levaram a
trilhar diversificados caminhos: das ciências (matemática, física, química),
das artes (cênicas, plásticas, visuais), da literatura (infantil, juvenil,
poesia), das relações humanas, da educação, da diplomacia, da guerra (armas,
estratégia, navegação).
Não obstante seja árabe de berço, e mesmo nunca
tendo se afastado dos hábitos aprendidos em terras das mil e uma noites, seu
fascínio pela diversidade (de pessoas e países, hábitos e culturas), bem como
sua percepção teológica baseada na tolerância e no amor, mais que nas
características habituais da intolerância e do medo, fizeram-no definir-se como
cidadão do mundo.
E nessa cidadania de mundo sempre se sentiu
irmanado a todos os seres humanos por consciência de que todos eles, não
obstante nossa intrínseca dicotomia (bem x mal), somos frutos do divino, ainda
que temporariamente eivados do humano, independentemente de gênero, raça, cor
ou credo (religioso, político ou filosófico).
Sua obra (das artes à literatura, passando pelas
performances), bem como seus escritos (da filosofia à matemática, passando pela
literatura – infantil, infantojuvenil e adulta) primam por linhas e ideias bem
marcadas, influências bastante construtivas, estímulos à difusão e prática de
valores morais bem determinados.
Embora alguns dos seus pensamentos não possam ser
traduzidos do árabe, por falta de palavras correspondentes, a maioria encontra
correlação em diversas línguas sem prejuízo significativo do sentido original,
principalmente em inglês, francês e português.
E quando a criatividade da arte se junta à
habilidade da escrita, quando o querer encontra o desejar, quando a visão se
junta à ação, o mundo se transforma: sucata se faz arte, o inaproveitável passa
a esteticamente útil, matéria inútil se alça à beleza abstrata de figuras
concretas e o comum cotidiano se eleva ao raro atemporal.
Tem obras premiadas em praticamente todas as
categorias em que participou: literatura (infantil, infantojuvenil, matemática,
direito e filosofia), poesia, artes plásticas, escultura e fotografia, mas
sempre relutou em aceitar honrarias e enaltecimentos por conhecer os perigos da
vaidade humana, principal arma de Cheitã[3] (o maldito) para
derrubar os que amam e respeitam a Allah[4] (o altíssimo).
Participou também de algumas exposições coletivas
nacionais e de diversos prêmios nacionais e internacionais de literatura
(poesia) e de fotografia, tendo sido premiado algumas vezes em ambas as
categorias.
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